• SEJA BEM-VINDO

Feira de Santana: Cedraz, ex-presidente do Sindicato dos Comerciários articula invasão desobedecendo ordem da justiça

Publicado em: 28 de outubro de 2026 | Atualizado: outubro 28, 2026

 

Viviane Moreira / Verdades Políticas

 

“Vamos levar nossos policiais”: Cedraz articula movimento no Sindicato dos Comerciários e planeja levar pressão à Justiça. Em mensagens, ex-presidente orienta sigilo, discute mobilização de funcionários e pede convocação da imprensa; referência a policiais exige esclarecimentos

 

“Vamos levar nossos policiais também.” A frase de Antônio Tadeu Soares Cedraz, ex-presidente do Sindicato dos Comerciários de Feira de Santana, aparece nas transcrições de dois áudios encaminhadas ao Verdades Políticas, com autoria confirmada pela fonte responsável pelo material. As mensagens descrevem uma articulação para organizar um movimento na entidade, mobilizar a imprensa e procurar a juíza responsável pelo caso.

Segundo informações fornecidas à reportagem, Cedraz foi retirado do comando do sindicato por decisão judicial. Nesse contexto, a movimentação levanta uma questão central: trata-se de uma reivindicação dos funcionários ou de uma estratégia do ex-presidente para tentar recuperar influência sobre a instituição?

Na primeira mensagem, Cedraz relaciona a mobilização ao pagamento dos funcionários e a possíveis demissões. Afirma que acompanharia a elaboração da folha e menciona a dispensa de uma pessoa ligada à organização do grupo:

“A principal cabeça nossa que está organizando tudo.”

A declaração indica que existe uma articulação coordenada. Na sequência, ele anuncia a intenção de realizar um movimento na sexta-feira e discute a ordem das ações: primeiro a manifestação ou primeiro a procura pela magistrada.

“****, a gente tá com uma ideia , boa noite. Eu sei ue eles, né, sei o que aconteceu com você, mas estamos atento a tudo. Amanhã a gemnte vai ver se eles fazem a folha de pagamento pessoal. Se não pagar, nós estams hoje já dispensaram o ***, a principal cabeça nossa quew tá organizando tudo, dispensaram ela. Então sexta-feira a gente quer fazer um movimento ai, né? Vamos até a juiza amanhã. O gente vai ouvir se faz o movimento primeiro e depois vai a juíza, ou se vamos a juiz amanhã meio-dia por ai, dizerq ue o pessoal, os funcionários estão querendo parar porque eles, elas estão na fase de demissão, querem demitir todos e trazer todos aqueles já trouxeram todos aqueles que eh, a gente demitiu por improbidade, por salários altos e tudo isso eles estão trazendo todos novamente. Então a gente fique ligadio aí que se a gente for fazer oi movimento sexta-feira, a gente vai fazer cedo. Vamos levar nossos policiais também e você vai ficar lá para acompanhar tudo, fotografar tudo, cobrir esse hábito”.

Na transcrição fornecida, Cedraz considera “fazer o movimento primeiro e depois” procurar a juíza. O argumento seria informar que “os funcionários estão querendo parar”, diante da alegação de que a direção pretende demitir trabalhadores e trazer de volta pessoas dispensadas anteriormente.

As mensagens mostram, portanto, que Cedraz participa do planejamento da mobilização e da construção do argumento a ser apresentado à Justiça. É necessário esclarecer se os empregados deliberaram pela paralisação, quais demissões foram efetivamente anunciadas e quem autorizou o ex-presidente a falar em nome deles.

A gravação, por si só, não comprova que a insatisfação dos trabalhadores seja falsa. Mas a organização prévia exige transparência: uma iniciativa conduzida por um grupo interessado na disputa sindical não pode ser apresentada de maneira enganosa como manifestação espontânea de toda a categoria.

Quem são “nossos policiais”?

O trecho mais inquietante surge quando Cedraz anuncia:

“Vamos levar nossos policiais também.”

A expressão exige explicações objetivas. Quem são esses policiais? A qual instituição pertencem? Foram procurados? Existe alguma operação oficial prevista? Atuariam em serviço ou fora dele?

A fala não comprova adesão de agentes nem envolvimento de qualquer corporação. Ainda assim, a referência à polícia como se estivesse à disposição de um grupo é grave e precisa ser esclarecida. A autoridade policial não é patrimônio de ex-dirigente, de direção sindical ou de qualquer interessado numa disputa pelo poder.

Se houver necessidade de segurança, sua atuação deve ocorrer pelos canais oficiais, com finalidade pública e dentro das atribuições legais. Qualquer participação anunciada em outros termos merece verificação pela instituição competente.

Sigilo nos bastidores, imprensa na porta

No segundo áudio, Cedraz orienta que o planejamento seja mantido em reserva:

“Por enquanto não repasse, não comente nada.”

A justificativa apresentada é aguardar a análise da situação e ter segurança sobre os acontecimentos do dia seguinte. Depois, vem a orientação para convocar jornalistas:

“Aí agora você vai e chama toda imprensa para 7 horas.”

Na primeira mensagem, ele também pede acompanhamento e registro: “Fotografar tudo”.

O conjunto revela uma ação planejada, com organização interna, discussão sobre a procura pela Justiça e preparação da cobertura jornalística. Manifestar-se e chamar a imprensa são direitos legítimos. O questionamento recai sobre a finalidade da estratégia e a fidelidade do cenário que se pretende apresentar à magistrada e à sociedade.

A imprensa precisa conhecer essa articulação para apurar as reivindicações com independência. A presença de câmeras não transforma uma versão em verdade nem substitui documentos e depoimentos dos próprios funcionários.

Acusações contra antigos empregados também precisam de provas

Cedraz afirma que trabalhadores anteriormente dispensados estariam retornando e atribui as demissões passadas a “improbidade” e “salários altos”.

São acusações feitas pelo ex-presidente. As transcrições não vêm acompanhadas de elementos que comprovem atos de improbidade praticados por essas pessoas. A gravidade da expressão exige documentação e oportunidade de resposta aos atingidos.

Também precisam ser verificadas as alegações sobre atraso salarial, dispensa generalizada e retorno de antigos funcionários. O receio de perder o emprego é sério demais para ser usado como instrumento de pressão numa disputa de comando.

Justiça e autoridades policiais devem conhecer o conteúdo

As mensagens justificam o encaminhamento do material integral ao juízo responsável, acompanhado dos arquivos originais e das informações sobre seu contexto. Caberá à Justiça avaliar se a articulação tem alguma relação com as restrições impostas a Cedraz. Sem conferir o teor da decisão, não é possível afirmar que houve descumprimento judicial.

A referência a “nossos policiais” também merece esclarecimento pela instituição competente, após a identificação dos agentes mencionados. É preciso saber se houve contato, convite ou promessa de participação — ou se Cedraz invocou uma presença policial que sequer estava acertada.

O ex-presidente deve explicar sua atuação, identificar os policiais citados e apresentar as provas das acusações contra funcionários. A atual direção, por sua vez, precisa esclarecer a situação dos pagamentos e das demissões mencionadas.

O Sindicato dos Comerciários existe para representar trabalhadores. Seus funcionários não podem ser reduzidos a peças de uma disputa pelo comando da entidade. Quando alguém planeja uma mobilização, pede silêncio nos bastidores e anuncia que levará “nossos policiais”, a resposta necessária é apuração rigorosa. A categoria merece saber quem está defendendo seus direitos e quem está tentando transformar suas preocupações em instrumento de poder.

O ponto central do questionamento é a origem da mobilização: conforme a descrição apresentada, a iniciativa seria articulada previamente pelo próprio ex-presidente para depois ser levada à magistrada como uma reação dos trabalhadores. A suspeita, portanto, é de uma tentativa de construir um cenário favorável à sua volta ao poder.

A diferença tem relevância para a apuração. Uma manifestação de funcionários sobre seus empregos precisa expressar suas reivindicações reais. Caso seja organizada para apresentar à Justiça uma aparência enganosa de insatisfação espontânea, o contexto da articulação deve ser esclarecido.

Ainda é necessário verificar se existem demissões anunciadas, quais trabalhadores seriam atingidos e se eles concordam com a mobilização atribuída a Cedraz. A situação judicial do ex-presidente e os limites impostos à sua atuação também precisam ser descritos conforme a decisão vigente, sem antecipar conclusões sobre eventual descumprimento.

O episódio exige explicações sobre quem organiza o movimento, quais interesses o orientam e o que se pretende apresentar à magistrada. Os funcionários têm direito de defender seus empregos e de conhecer os fatos, sem que suas preocupações sejam instrumentalizadas numa disputa pelo comando do sindicato.

Já no segundo aúdio, Cedraz pede para segundo interlocutor mantenha tudo em sigilo por enquanto.

Se a intenção é fabricar uma aparência de revolta dos trabalhadores para influenciar a Justiça e favorecer um projeto de retorno ao poder, a sordidez está justamente em transformar o medo da demissão em ferramenta de interesse pessoal. Os comerciários merecem respeito, a Justiça merece informações verdadeiras e a polícia deve servir à sociedade. Nenhuma dessas instituições pode ser tratada como peça de uma manobra pelo comando do sindicato.

“Por enquanto não repasse, não comente nada, que a gente vai analisar direitinho quando tiver segurança de tudo de amanhã, de tarde, por aí. Aí agora você vai e chama toda imprensa para 07 horas por aí já estar lá fazendo sua cobertura”, conclui Cedraz, conforme a transcrição fornecida.

A orientação de silêncio nos bastidores, seguida da convocação da imprensa, reforça o caráter planejado da mobilização. Se o objetivo for apresentar uma articulação particular como revolta espontânea dos funcionários, a sordidez estará em explorar o medo de demissões para alimentar uma disputa pelo poder. Os trabalhadores merecem representação legítima; a imprensa e a Justiça, informações verdadeiras. A categoria não pode ser transformada em instrumento de interesses pessoais.


VERDADES POLITICAS


Siga as redes sociais