
Publicado em: 3 de novembro de 2026 | Atualizado: novembro 3, 2026
Viviane Moreira / Verdades Políticas
Deputado que terminou a disputa federal como suplente declarou R$ 12,7 milhões a mais em bens do que em 2022; origem do crescimento merece esclarecimento público e documental.
O patrimônio declarado pelo deputado estadual Carlos Robson Rodrigues da Silva, o Robinho, chegou a R$ 19.385.660,79 nas eleições de 2026. Na disputa anterior, em 2022, eram R$ 6.601.261,79. A diferença é de R$ 12.784.399,00, um aumento nominal de aproximadamente 193,7% em quatro anos. Os valores constam do levantamento de declarações eleitorais publicado pela Divulgacand da Justiça Eleitoral com informações das candidaturas.
É um crescimento expressivo que justifica uma cobrança direta: quais negócios, rendimentos, operações ou mudanças na composição dos bens explicam esse resultado? A população merece conhecer os documentos que sustentam a evolução patrimonial de quem exerce mandato e participa das decisões sobre o dinheiro público.
Robinho não conquistou uma cadeira de deputado federal na eleição de 2026, encerrando a disputa na condição de suplente. A derrota eleitoral, entretanto, não encerra o interesse público sobre sua trajetória e suas declarações patrimoniais.
Uma captura da consulta eleitoral de 2004, apresentada à reportagem, mostra a candidatura de Robinho à Prefeitura de Nova Viçosa e exibe, no campo patrimonial, a mensagem “Não há bens a declarar”.

Esse registro precisa ser esclarecido. Uma tela sem bens relacionados não permite concluir automaticamente que o candidato não possuía patrimônio naquele momento. É necessário conferir a declaração original e verificar a disponibilidade dos dados históricos. O catálogo do TSE não relaciona uma base de bens entre os arquivos de candidatos de 2004, diferentemente de eleições posteriores.
A cobrança mais concreta, portanto, está na comparação entre 2022 e 2026: o patrimônio declarado ficou quase três vezes maior.

Na relação de 2026, um único lançamento de quotas ou quinhões de capital soma R$ 13.375.113,00. Também aparecem uma aplicação de renda fixa de aproximadamente R$ 2,9 milhões, um apartamento de R$ 1,275 milhão e R$ 700 mil em dinheiro em espécie.
Quais empresas correspondem às participações declaradas? Quando foram adquiridas e com quais recursos? Houve integralização de capital, reorganização societária, venda de outros ativos ou alteração na forma de declarar os bens? Qual é a origem dos recursos mantidos em espécie?
São perguntas de interesse público. As respostas precisam permitir a comparação entre os valores declarados, as datas das operações e suas fontes de financiamento.
O crescimento patrimonial, isoladamente, não comprova corrupção, desvio de recursos ou enriquecimento ilícito. Os elementos reunidos nesta apuração não demonstram origem criminosa dos bens. Também não permitem concluir que o aumento decorreu dos salários recebidos na atividade política.
Mas o combate à corrupção exige fiscalização baseada em documentos, inclusive sobre o patrimônio de agentes públicos. Cobrar explicações verificáveis é parte desse trabalho. Robinho tem a oportunidade de apresentar a composição e a origem desse crescimento. Ao eleitor cabe conhecer os fatos e avaliar as respostas.