
Publicado em: 18 de outubro de 2019 | Atualizado: outubro 18, 2019
Em dez anos, a produção de algodão na região Oeste da Bahia deve crescer 64,5%, de acordo com dados de uma nota técnica da Embrapa sobre os desafios do agronegócio no país. Pela projeção, na safra 2027/2028, a Bahia e o Mato Grosso deverão ser responsáveis por 98% da produção brasileira. E os esforços que vêm sendo feito nos campos do cerrado baiano são para que este crescimento seja sustentável economicamente, ambientalmente e socialmente.
A produtora agrícola Alessandra Zanotto conta que o ingresso no Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) trouxe mudanças positivas para o negócio, que vão além do cumprimento mais assertivo da legislação. “A relação com os investidores, principalmente com os internacionais, é outra”, destaca. O algodão que Alessandra produz tem uma certificação reconhecida internacionalmente, feita por uma auditoria independente. “É um crivo importante, porque mesmo o banco que vai oferecer o financiamento, ou o comprador do produto, não querem se associar a algo de origem duvidosa”, diz.
Além disso, a garantia de qualidade do algodão baiano permite aos produtores se posicionarem de maneira diferente da maioria no setor agrícola. “A gente ouve falar muito em quantidade de produção, em demanda internacional, mas o Brasil precisa se posicionar cada vez mais como um país que oferece produtos de qualidade e não apenas baratos”, defende.
“O solo do cerrado é pobre em sua origem. Quando nós iniciamos a produção no Oeste, a média era de 1% de matéria orgânica, hoje você já encontra uma concentração de 2,5%. Isso não é fruto de uma atividade sem compromisso ambiental”, destaca Busato. Ele explica que o algodão é uma cultura “muito exigente”, que demanda muita tecnologia e cuidados com a lavoura.
Entre as ações dos produtores de algodão para a promoção da sustentabilidade, Busato destaca uma parceria entre a Abapa e a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) para a criação de um centro de desenvolvimento ambiental. Segundo ele, foram investidos R$ 11 bilhões na criação de reservas legais para a atividade, correspondentes a 35% do total de propriedades no Oeste. “Se tivéssemos plantado milho nessa área, teríamos gerado R$ 6,6 bilhões”, compara. Segundo ele, as ações demonstram o compromisso dos produtores com a sustentabilidade.
Na última safra, foram certificadas como sustentável 77,7% da área plantada na Bahia. Junto com a entidade suíça Better Cotton Iniciative (BCI), a Abapa certificou uma área total de 247.840 mil hectares. Em relação à última safra, houve um acréscimo de 29,4% da área de algodão certificada, abrangendo um total de 66 unidades produtivas que vêm cumprindo os critérios de sustentabilidade. Desde quando foi iniciado este trabalho, em 2011, houve um crescimento gradual de 21,1% da área certificada.
