Conta Não Fecha: Salário de R$ 19,5 Mil Contrapõe Salto Milionário de Prefeita de Nova Viçosa Luciana Machado
NOVA VIÇOSA (BA) — Como um salário bruto mensal de R$ 19.500,00 pode se transformar em um patrimônio superior a R$ 11,5 milhões em apenas quatro anos? Essa é a pergunta que ecoa nos bastidores políticos do extremo sul baiano após a divulgação dos dados oficiais do sistema DivulgaCand do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A prefeita de Nova Viçosa, Luciana Machado, registrou uma impressionante evolução patrimonial ao longo do seu primeiro mandato, acendendo o sinal de alerta sobre a necessidade de rigorosa fiscalização institucional e levantando questionamentos sobre possível enriquecimento ilícito.
A Matemática do Crescimento Exponencial
Os números apresentados à Justiça Eleitoral revelam um salto difícil de ignorar:
- Patrimônio em 2020: R$ 622.562,11
- Patrimônio em 2024: R$ 11.568.400,04
- Aumento Percentual: 1.758,19% (uma multiplicação de 18 vezes o valor inicial)
Mesmo que a gestora acumulasse 100% dos seus subsídios de prefeita ao longo dos 48 meses de mandato — sem gastar um único centavo com alimentação, moradia ou impostos —, o montante total recebido pelos cofres públicos da Prefeitura Municipal de Nova Viçosa somaria pouco menos de R$ 1 milhão. O ganho real declarado, contudo, superou a barreira dos R$ 10,9 milhões de acréscimo.
Entre o Gado e os Votos: Onde Está a Origem?
Na discriminação enviada ao TSE, a defesa da prefeita (que atua também no setor de pecuária) atribui parte da evolução a bens como rebanho bovino, capital social e aplicações financeiras. No entanto, a velocidade desse enriquecimento em paralelo ao exercício do cargo executivo exige respostas claras.
A disparidade levanta suspeitas legítimas que requerem a atuação do Ministério Público e do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM):
- Crescimento de mercado ou anomalia? O agronegócio regional justifica, sozinho, uma valorização dessa magnitude em um período assolado por instabilidades econômicas?
- Tratamento isonômico: Se um cidadão comum precisa comprovar à Receita Federal a origem de cada real que entra em sua conta, por que a evolução milionária de uma chefe do Executivo não passaria por auditoria minuciosa?
A transparência não pode ser apenas um discurso de campanha. Nova Viçosa aguarda esclarecimentos convincentes que provem a legalidade dessa explosão financeira, sob a pena de a gestão ficar manchada pela sombra da dúvida e da improbidade administrativa.
O espaço jornalístico segue aberto para que a assessoria jurídica ou de comunicação da prefeita Luciana Machado apresente as justificativas contábeis referentes à evolução de seus bens.