• SEJA BEM-VINDO

Folha de temporários cresce 114% durante ano eleitoral em Teixeira de Freitas, onde esposa do prefeito disputou eleição

Publicado em: 18 de outubro de 2026 | Atualizado: outubro 18, 2026

 

Viviane Moreira / Verdades Políticas

 

Dados extraídos do TCM apresentados à reportagem mostram que o total líquido passou de R$ 2,67 milhões em janeiro para R$ 5,72 milhões em agosto de 2026, mês de início da campanha eleitoral.

A folha de servidores temporários da Prefeitura de Teixeira de Freitas mais que dobrou entre janeiro e agosto de 2026, ano em que Penélope Belitardo, esposa do prefeito Marcelo Belitardo, disputou uma vaga de deputada estadual. Conforme as capturas de consulta do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) apresentadas à reportagem, o total líquido passou de R$ 2.676.722,85 para R$ 5.726.499,96.

A diferença é de R$ 3.049.777,11 em uma única competência mensal, equivalente a um crescimento de 113,94%. O aumento levanta questionamentos sobre a expansão dos gastos com pessoal temporário no período que antecedeu a votação e sobre as justificativas administrativas para essa despesa.

Outro indicador das consultas, identificado como “total base”, também apresentou crescimento expressivo: saiu de R$ 2.128.367,73 em janeiro para R$ 4.453.074,40 em agosto, uma elevação de 109,22%, ou R$ 2.324.706,67.

IndicadorJaneiro de 2026Agosto de 2026Diferença
Total líquidoR$ 2.676.722,85R$ 5.726.499,96R$ 3.049.777,11
Total baseR$ 2.128.367,73R$ 4.453.074,40R$ 2.324.706,67

Os dois indicadores representam medidas diferentes da mesma consulta e não devem ser somados.

Crescimento coincide com a disputa eleitoral de Penélope

Agosto foi o mês de início da campanha oficial de Penélope Belitardo, candidata a deputada estadual pelo PDT. A primeira ação oficial de campanha foi noticiada em Teixeira de Freitas em 17 de agosto.

Nesse contexto, o crescimento da folha exige uma explicação pública: quais necessidades justificaram mais que dobrar o valor líquido registrado para temporários entre janeiro e agosto? Quantas pessoas foram admitidas, em quais secretarias e para desempenhar quais funções?

As imagens comprovam o aumento dos valores registrados, mas não apresentam a quantidade total de trabalhadores de cada mês. Portanto, não permitem afirmar quantos funcionários foram acrescentados nem que o número de contratados dobrou. Para isso, é necessário comparar os vínculos e as matrículas nas duas competências, eliminando registros repetidos.

Também é preciso verificar se o crescimento decorreu de novas admissões, alterações na remuneração, pagamentos retroativos ou fatores sazonais, como o funcionamento da rede escolar.

Denúncias sobre pressão política reforçam necessidade de apuração

A expansão da despesa ocorreu em um ambiente marcado por denúncias de pressão política sobre servidores. Em maio, o Brado Jornal publicou relatos de funcionários municipais que alegavam cobranças para fornecer dados pessoais e apoiar Penélope Belitardo. As alegações não foram comprovadas de forma independente nesta apuração.

Em setembro, o Repórter Coragem também noticiou acusações de pressão sobre contratados para participar de eventos políticos, incluindo supostas ameaças de desligamento. O próprio veículo destacou que não dispunha de provas suficientes para confirmar as condutas relatadas.

Essas denúncias, somadas ao aumento da folha, justificam examinar se houve utilização da estrutura administrativa em benefício eleitoral. Entretanto, a coincidência entre crescimento da despesa e campanha não comprova, por si só, abuso de poder ou desvio de finalidade.

Quanto custou aos teixeirenses?

O valor adicional registrado em agosto, comparado a janeiro, supera R$ 3 milhões no total líquido. Essa diferença não pode ser automaticamente classificada como custo da campanha da esposa do prefeito, pois os registros apresentados não demonstram quais serviços foram prestados nem eventual destinação eleitoral dos contratos.

A questão que permanece é se toda essa expansão atendeu às necessidades da população ou se alguma parcela sustentou interesses políticos do grupo que administra o município.

Para esclarecer o caso, a Prefeitura precisa apresentar a evolução mensal do número de temporários, as datas das admissões, as lotações e as justificativas de cada contratação. A comparação com o mesmo período de anos anteriores também é necessária para identificar se houve crescimento excepcional em 2026.

Os números apresentados ao TCM documentam uma elevação expressiva da folha de temporários. A responsabilidade da gestão é explicar por que ela ocorreu; a fiscalização deve verificar se o dinheiro público financiou exclusivamente os serviços devidos aos teixeirenses.

Fonte dos valores: capturas de consulta do TCM-BA fornecidas à reportagem, referentes às competências janeiro e agosto de 2026, com registros classificados como “Servidor Temporário”. 


VERDADES POLITICAS


Siga as redes sociais