
Publicado em: 25 de março de 2020 | Atualizado: março 25, 2020
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Emília Nunez é escritora e faz transmissões pela internet — Foto: Emília Nunez / Reprodução
As transmissões ao vivo pela internet se tornaram uma ferramenta aliada de artistas, casas de shows e até igrejas que querem atingir determinado público no período de isolamento social provocado pelo risco de disseminação do novo coronavírus. Essa estratégia também tem sido utilizada por escritoras e contadoras de histórias, que estão ajudando a distrair crianças desde que as aulas foram suspensas.
Na Bahia, destacam-se as escritoras Emília Nunes e Rebeca Fernandes, além da educadora Caroline Adesewa. Elas fazem “lives” diárias, nome em inglês utilizado para se referir às transmissões nas redes sociais, especialmente no Instagram.
A ideia surgiu de forma descentralizada, mas logo as escritoras perceberam que poderiam criar uma “rede do bem”, como define Emília Nunez, que fez sua primeira live antes da propagação da Covid-19 no Brasil.
“Fiz, antes do isolamento, um vídeo para uma amiga que mora em Milão, na Itália. Eu estive lá e contei história para crianças. Quando ela me contou como estava difícil lá, mandei um vídeo para ver se alegrava as crianças, e foi uma resposta legal. Depois que fizemos aqui, de forma espontânea, várias contadoras fizeram o mesmo, e se criou essa rede do bem”, disse.
Com dez livros publicados, Emília conta que, inicialmente, abordou suas obras nas lives, mas hoje já tem mostrado para as crianças livros de outros autores.
“Comecei contando os meus livros, mas já estou contando livros que conto para meus filhos em casa. Tenho escolhido livros que tenham a ver com esse contexto, que possam trazer um pouco de luz”, afirmou.
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Renata Fernandez escreveu 11 livros — Foto: Renata Fernandes / Arquivo Pessoal
Formada em publicidade e jornalismo, Renata Fernandes começou a escrever em 2014. Ela começou a contar história nas escolas porque, entre outras coisas, gosta de sentir a reação das crianças.
Nesse período de isolamento, a alternativa encontrada para estar em contato com os pequenos foi a internet.
“Quando começou o confinamento, que tinha que ficar em casa… Esses dois meses são bem intensos, são meses em que as escolas procuram para fazer eventos. Minha agenda estava lotada, e veio essa avalanche, esse balde de água gelada. E pensei: “E agora, o que eu faço?”. Nunca tinha feito ao vivo, que é bem diferente. Meu ao vivo é presencial, a gente se pega, se toca, se abraça. Eu pensei que poderia funcionar”, disse.
Renata nasceu em São Paulo, mas se mudou para a Bahia ainda criança e constituiu família no estado. Ela tem oito livros publicados e lançará mais três ainda neste ano.
A informação sobre as transmissões ao vivo se espalhou, e logo Renata Fernandes e Emília Nunez perceberam que o número de seguidores aumentou rapidamente, chegando a três mil novos por dia.
“Foi uma surpresa boa, porque a gente não esperava. A intenção não era ganhar tantos seguidores. A gente sabia que mais pessoas poderiam conhecer nosso trabalho, mas não imaginava que fosse tão avassalador”, disse Renata.
Emília Nunez conta que, de início, não entendeu o que tinha acontecido.
“Deu uma certa viralizada no início. Aumentei muito a minha base de seguidores. Não entendi de primeira, depois que fui entender o que aconteceu”, afirmou.
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Caroline Adesewa criou o projeto Afroinfância — Foto: Caroline Adesewa / Arquivo Pessoal
No período de isolamento social, a educadora Caroline Adesewa levou o projeto Afroinfância para a internet, também com transmissões diárias nas redes sociais. Há três anos, ela está empenhada em compartilhar práticas voltadas para a construção da identidade negra na educação infantil.
“Há uma carência grande nas escolas e também nas famílias de elementos que possibilitem às crianças construir um material positivo sobre a nossa cultura”, afirmou.
“Todo tempo seu corpo é visto como algo feio, seu cabelo, etc”.
Caroline é professora do município de São Francisco do Conde. Com o Afroinfância, ela promove oficinas de bonecas abayomi, oficinas de máscaras africanas, “contação” de histórias diversas, palestras, rodas de conversa e outras ações educativas.
Nas transmissões nas redes sociais, ela desenvolve algumas dessas atividades e afirma que tenta não abordar o racismo.
“Eu trago a questão da construção da identidade negra sem problematizar o racismo, porque acredito que a gente não pode reduzir nossa história a isso. Trago referenciais positivos para que as crianças negras possam se enxergar”, disse..
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Caroline Adesewa defende uma educação afrocentrada — Foto: Caroline Adesewa / Arquivo Pessoal
Caroline Adesewa conta que seu público é majoritariamente negro, mas suas lives estão abertas para todos.
“A história e cultura africana faz parte da nossa vida desde sempre. E o continente africano é milenar. Precisamos derrubar essa premissa arrogante de que a Europa é o centro do mundo, e trazer essa premissa afro para que a gente se sinta representado”, afirmou.
11h – Emília Nunez (@maequele)
14h30 – Caroline Adesewa (afroinfancia)
17h – Renata Fernandes (@renatafernandes)
