
Publicado em: 15 de abril de 2026 | Atualizado: abril 15, 2026
Causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e transmitida por insetos triatomíneos conhecidos popularmente como “barbeiros”, a Doença de Chagas (ChD) pode ser adquirida de forma congênita, por meio de transplantes de órgãos, transfusões sanguíneas, por ingestão de alimentos contaminados e de forma acidental.
Estima-se que só na América Latina existam de 6 a 7 milhões de pessoas infectadas com a doença, e que a cada ano despontam 30 mil novos casos, provocando 10 mil mortes relacionadas à doença.
De acordo com Marcelo Gonçalves, farmacêutico e bioquímico da Wiener lab., atualmente, o número de infectados é de 2 a 3 milhões de pessoas, sendo a região Norte a mais afetada, principalmente o estado do Pará. No mundo, a estimativa é que cerca de 7 milhões de pessoas estejam infectadas e que a doença faz em torno de 40 mil vítimas fatais anualmente.
Ele observa que a via vertical – transmissão de mãe para filho – ganhou maior importância na transmissão da enfermidade pelo Brasil. “Porém, há grande possibilidade de cura da Doença de Chagas Congênita (DCC) quando há diagnóstico precoce”, ressalta.
“Hoje, há um kit de alta sensibilidade destinado à identificação do DNA do t.cruzi que auxilia no diagnóstico precoce de recém-nascidos de mães infectadas e permite decisões terapêuticas mais bem sucedidas. E, quanto mais cedo uma criança infectada for tratada, mais rápido a soroconversão é atingida”, explica Marcelo.
Em geral os sintomas são leves ou inespecíficos na fase aguda, que ocorre nas primeiras semanas ou meses após a infecção. Entre eles estão: febre prolongada; mal-estar, cansaço e dores no corpo; dor de cabeça; inchaço no local da picada do barbeiro; sinal de Romaña (inchaço indolor de uma pálpebra, quando o parasita entra pelo olho); aumento do fígado e do baço; ínguas (gânglios linfáticos aumentados); e em casos mais graves, inflamação do coração (miocardite) ou do cérebro (meningoencefalite), especialmente em crianças.
Na fase crônica, os sintomas podem surgir anos ou décadas após a infecção e dividem-se em duas formas principais:
a) Forma crônica indeterminada
Ausência de sintomas, exames clínicos e cardíacos normais, e a pessoa é portadora do parasita e pode evoluir para formas clínicas no futuro.
b) Forma crônica determinada:
Cardíaca: falta de ar, palpitações, tonturas ou desmaios, dor no peito, inchaço nas pernas, insuficiência cardíaca, arritmias e risco de morte súbita.
Digestiva: dificuldade para engolir (megaesôfago), regurgitação de alimentos, dor torácica, prisão de ventre crônica (megacólon) e distensão abdominal.
Há também a forma mista com associação de manifestações cardíacas e digestivas.
Uma vez controlada a transmissão pelas vias vetorial e transfusional, a via vertical (mãe-filho) adquiriu maior importância na transmissão da infecção chagásica pelo país. A alta possibilidade de cura da Doença de Chagas Congênita (DCC) faz com que seu diagnóstico precoce seja fundamental.
