
Publicado em: 16 de julho de 2026 | Atualizado: julho 16, 2026
Sentir uma rouquidão que não passa, uma pequena ferida na boca que parece não cicatrizar ou o surgimento de um caroço discreto na região do pescoço ou da tireoide são situações que, diante da correria do dia a dia, a maioria das pessoas tende a associar a inflamações comuns, gripes ou ao cansaço vocal. No entanto, durante o mês de julho, a campanha nacional Julho Verde joga luz sobre um alerta vital: a persistência desses sintomas por mais de duas semanas é o principal sinal de suspeição para o câncer de cabeça e pescoço, um grupo de tumores que exige diagnóstico precoce para evitar sequelas graves e garantir o sucesso do tratamento.
A urgência da conscientização ganha um respaldo numérico expressivo nas projeções do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Embora o órgão já apontasse o surgimento de 39.550 novos casos de câncer de cabeça e pescoço, incluindo cavidade oral, tireoide e laringe, o cenário geral para o triênio de 2026 a 2028 mostra-se ainda mais desafiador. A estimativa é que o Brasil registre cerca de 781 mil novos casos de qualquer tipo de câncer por ano, consolidando a doença como uma das principais causas de adoecimento e morte no país, aproximando-se das estatísticas de problemas cardiovasculares.
Para a Andréa Hilgenberg, Cirurgiã de Cabeça e Pescoço da Kora Saúde, esses números robustos refletem diretamente o envelhecimento da população brasileira, mas também escancaram desigualdades regionais e gargalos no acesso à saúde. A médica ressalta que o crescimento das ocorrências mostra que o câncer não é mais uma realidade distante, o que exige uma postura muito mais ativa da sociedade em relação à prevenção e ao diagnóstico oportuno, antes que a doença avance para estágios mais complexos.
“O envelhecimento natural das pessoas aumenta a incidência de tumores, mas o que realmente nos preocupa é o atraso na descoberta da doença. O câncer de cabeça e pescoço é altamente curável se detectado no início, mas muitos pacientes chegam ao hospital em estágios avançados porque ignoraram os primeiros avisos do corpo. Mudar esse cenário exige facilitar o acesso à informação e entender que a prevenção começa nos nossos hábitos diários, combatendo os principais fatores de risco ambientais”, explica Andréa.
Complementando o alerta prático, o Dr. Judá Câmara Barcellos Cirurgião de Cabeça e Pescoço da Kora Saúde, detalha quais são os sinais exatos que devem levar o paciente direto ao médico. O especialista aponta que feridas na boca que não cicatrizam sozinhas em até 15 dias, dores para engolir, rouquidão contínua e o aparecimento de qualquer nódulo endurecido no pescoço nunca devem ser negligenciados. Ele reforça que o diagnóstico precoce não apenas salva vidas, mas preserva funções essenciais do ser humano, como a fala, a mastigação e a deglutição.
“Ninguém deve se automedicar ou esperar meses para ver se uma ferida na língua ou um caroço no pescoço vão sumir sozinhos. O câncer nessa região costuma ser agressivo localmente, mas ele dá pistas muito claras na rotina. A prevenção definitiva envolve o abandono total do tabagismo e a moderação no consumo de bebidas alcoólicas, que potencializam o risco quando associados. Além disso, manter uma boa higiene bucal, visitar o dentista regularmente e usar o protetor solar no rosto, lábios e pescoço diariamente completam o escudo de proteção que todos deveriam adotar”, destaca o Dr. Judá.