
Publicado em: 17 de junho de 2026 | Atualizado: junho 17, 2026
Nariz escorrendo, alguns espirros e uma noite mal dormida. Para muitas famílias, os primeiros sinais da bronquiolite podem parecer apenas mais um resfriado comum. Mas, em bebês e crianças pequenas, a doença pode evoluir rapidamente e causar dificuldade para respirar, chiado no peito e muito cansaço.
Com a chegada dos dias mais frios, quando os vírus respiratórios circulam com mais intensidade, especialistas reforçam o alerta para que pais e responsáveis saibam identificar os sinais de agravamento e procurem atendimento médico quando necessário.
Em entrevista ao Portal Acorda Cidade, a pediatra Raquel Mascarenhas Freitas explicou os principais sintomas, os fatores que tornam os bebês mais vulneráveis e as formas de prevenção.
Segundo a médica, a bronquiolite costuma começar de forma semelhante a outras infecções respiratórias comuns, mas é preciso muita atenção.
“A bronquiolite inicia como se fosse um resfriado comum. Tem sintomas de coriza, espirros, muita obstrução nasal, mas ela é uma doença que evolui para um quadro de desconforto inspiratório, tosse seca persistente, muito cansaço e chiado no peito. Então, esse é o principal sinal de diferenciação, porque ela tem uma evolução para o quadro de desconforto respiratório.”
A evolução para dificuldade respiratória é o principal sinal de alerta que diferencia a doença de um resfriado comum.
A bronquiolite afeta principalmente os menores porque suas vias aéreas são mais estreitas e ficam mais facilmente obstruídas pelas secreções produzidas durante a infecção.
“Principalmente porque o bebê tem uma via aérea menor e a doença é caracterizada por uma grande quantidade de produção de secreção. Essas secreções, elas acabam impactando as vias aéreas e, por ser menor, acaba tendo uma maior facilidade de ficar mais obstruída e assim promover micro atelactasias (colapso parcial ou total de uma parte do pulmão) e a dificuldade desse ar de passar e chegar até os alvéolos e favorecer a oxigenação do sangue”, explicou a médica ao Acorda Cidade.
Segundo a médica orientou ao Acorda Cidade, a recomendação é não esperar diante de sinais de agravamento respiratório.
“Deve procurar atendimento médico imediato quando a criança tem um quadro de um desconforto inspiratório; ficar com a respiração muito rápida, ofegante, afundando as costelinhas, isso precisa procurar. Quando tem rejeição alimentar ou a criança está muito agitada, ou então quando ela está muito mole ou prostrada e principalmente quando tem recuso também do uso de algumas medicações.”
Embora o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) seja o principal responsável pelos casos de bronquiolite, ele não é o único agente causador.
“Ela pode ser causada pelo vírus da influenza, pelo vírus da Covid, pelo metapneumovírus, então tem outros vírus que também fazem parte desse quadro.”
Segundo a especialista, o aumento das aglomerações em ambientes fechados favorece a transmissão dos vírus respiratórios.
“Eles acabam fazendo aglomeração de pessoas, essas pessoas geralmente são adultos que estão resfriados e que o vírus, às vezes, fazem uma doença não tão invasiva, e esses adultos acabam tendo contato com essas crianças e acabam transmitindo.”
A médica destaca ainda que existem formas de prevenção disponíveis atualmente, mas a principal é a vacinação.
“A gente tem a vacinação que faz na gestante agora para o Vírus Sincicial Respiratório, a gente tem a vacinação para os prematuros e também a vacinação contra a influenza que também acaba sendo um grande agente.”
Além da vacinação, ambientes ventilados ajudam a reduzir a circulação viral. No entanto, a principal recomendação continua sendo evitar o contato de bebês com pessoas doentes.
“A doença é viral, então se a gente tem um ambiente adequado, bem ventilado, acaba que essa circulação não vai favorecer as aglomerações e deixar esse ambiente mais bem circulado. Se você tem uma pessoa resfriada em casa, se você tem uma pessoa doente em casa, tem que evitar o contato, independente se o ambiente vai estar ventilado ou não; o ideal é que você evite o contato com pessoas que estejam doentes.”
Nos últimos atendimentos, a pediatra tem observado casos da doença em diferentes contextos de assistência, desde o consultório até o ambiente hospitalar, onde também acompanha pacientes com sintomas respiratórios.
“Atendi alguns pacientes, tanto no consultório, quanto no ambiente hospitalar, para fazer o tratamento, que é um tratamento de suporte que a gente faz, não é um antibiótico que vai curar a doença, não tem nenhum remédio mágico que a gente vai curar a doença. A doença, na verdade, ela tem um dia de começar e geralmente tem um dia de terminar e ela é autolimitada.”
Por isso, o acompanhamento médico e a observação dos sinais de agravamento são fundamentais para garantir a recuperação segura das crianças, sem intercorrências mais graves.
